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setembro 22, 2010

# Dia 2 - Uma carta para a Minha Paixão

Eis que agora me pergunto: "Quem [O que] é minha paixão?". Depois de muito pensar, entendi. Minha paixão é a minha energia pessoal, única, distinta que emprego em cada coisa que faço. Mas creio que a proposta, desta carta, não é essa. Deve ser mais carnal...

Então essa carta vai pra você, mocinho do outro lado da tela. Você que está há quilômetros de distância, que já "sonhamos/planejamanos" nos encontrar. E não aconteceu. Não rolou. Tudo vai ficar sempre no nosso ideário. Agora temos certeza disso. Eu voltei para o antigo caminho da minha vida. E você encontrou um novo caminho... Nossos caminhos são paralelos agora, temos plena consciência de que jamais nos tocaremos. Nunca nos olharemos nos olhos. Nunca sentiremos o cheiro e o gosto, um do outro. junto.

Será que me faltou coragem e te faltou empenho? E se tivesse acontecido. E se tivemos feito as loucuras, realizado as vontades, demonstrado a ternura... como seríamos hoje? eu com a minha vida quadrada e monótona e você com a sua insatisfação de recém casado e recém pai? 
Não que a atual conjuntura da minha vida me incomode ou me deixe insatisfeita. Mas eu sinto que estou pela metade... estou quase cheia, quase vazia... eu não gosto de quases... O mesmo deve estar acontecendo com você.

Eu devia ter dito que não existem comerciais de margarina fora da Tv. Você foi inocente como eu nunca pensei que você pudesse ser. No seu café da manhã não há tanto sorriso, a luz do sol não se infiltra pela janela iluminando o rosto da sua esposa, o pão não é tão fresquinho e crocante como te prometeram. A maçã não é mais tão doce... ela só é doce quando, ainda, está no pé.

Ahhhh docinho... nós humanos não podemos provar o nectar dos deuses e sairmos impunes. É melhor tudo ficar assim. Você aí [com sua vida burguesa pós moderna], e eu aqui [com a minha vida clichê e suburbana]. As coisas entre nós só foram a intelectualização da carne.

Eu nunca fui uma moça de café da manhã em família, mas também não sou de lanches no meio da tarde. 

Um comentário:

vivianeamaral disse...

bonito e triste. (mas por que a constatação de certas coisas são tristes?)

Acontece que mudar é incômodo. Exige muito. Exige deixar o sofá quentinho e a comida na mesa (que é sempre feita por outra pessoa). Dá trabalho e ninguém quer ter trabalho.

Te entendo, flor.