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janeiro 05, 2012

# Dia 6 - Uma carta para um estranho

Um dia, pequena menina com cara de mexicana vendedora de hortaliças, te vi vendendo suas verduras. Eu, dentro do ônibus a caminho da faculdade, você numa barraca simples em alguma calçada de São Paulo. Eu, uns 20 e poucos anos, você uns 12. Me comoveu. Me comoveu ver você ali, tão pequena, tão alheia a multidão que te semi-cercava. Você ali, com um maço de couve molhando as demais hortaliças. Quis tanto tirar uma foto sua!! Ahhh como quis! Quase dez anos depois, eu ainda não esqueci sua imagem, pequena menina com cara de mexicana vendedora de hortaliças! Desejo que hoje você viva coisas boas, desejo que tudo tenha melhorado para você...

dezembro 29, 2010

# Dia 5 - Uma carta para Meus Sonhos

sonhos que sonho,
que se realizem.





outubro 15, 2010

# Dia 4 - Uma carta para seu "irmão"

Você sabe que eu sou filha única, e que sempre amei essa minha condição. Sou autoritária, mimada, inflexível [em muitas coisas], egoísta, individualista e muito, mas muito mais, mesmo. E eu sei que você é filho único, é carente, é altruísta, mimado [sim, isso mesmo, vai me dizer que nunca percebeu?], medroso, e bonachão... e sempre disse que era meu irmão. E.... na boa?  primo não é irmão, ok?! sacou?!

Crescemos juntos, como irmãos... Eu sei que a minha presença em qualquer infãncia tem um caráter meio... traumatizador. Sei que muitas vezes eu te enchi de porrada, mas era pra te deixar forte, saca? rs [sacana, eu?] Primo... eu sou apenas uma criança grande, a mesma criança que eu era, só que um metro maior... então, eu continuo mimada... autoritária... e blá blá blá, e você só é a mesma criança [que era] dois metros maior... As coisas não mudaram, mas os tempos não são os mesmos. Continuo pegando no seu pé pelos mesmos velhos motivos, ou sou eu que não "inspiro respeito", ou é você que tem "déficit de aprendizagem".

Mas, mano, saca só.... eu gosto de você... do meu jeito bizarro, mas gosto. E sempre que você precisar, eu vou te proteger, eu vou socar quem te fizer sangrar, eu vou xingar a mãe, o pai e o avô [Avohai] de quem te destratar. Serei sua Dartagnan.... 
Mas meu, não confunde, ok? eu sou sua prima.... não me abraça muito que eu não gosto, eu sou mulher, mas não sou mulherzinha, não sou delicada, não sou de muito mimimi.... Entendeu? E a propósito, nunca mais fica falando que é meu irmão, porque EU AMO SER FILHA ÚNICA!

setembro 25, 2010

# Dia 3 - Uma carta para meus pais [mãe]

Por algum tempo sentí-me culpada. Sentia culpa por ter encerrado suas possibilidades. Culpa por ter restringido seu futuro. Culpa por te enclausurar. Acho que é por isso que não quero ter filhos. [não.freud.não.me.explica]. Acho que, também, por isso, tentei tanto, e tanto, e tão exaustivamente ser perfeita. Sem nenhuma falha, sem nenhuma mácula, sem nenhum porém. Queria, sabe, causar "orgulho". Mas... eu sou humana, é só isso que sou [por mais que eu seja filha de super heroína], por mais que eu tente, sempre serei humana. Isso já não me aborrece tanto, mas confesso que me frustra. Eu sei que nunca vou conseguir retribuir. E por mais que eu busque a excelência em cada gesto, em cada passo, o meu ballet é meio desengonçado. As vezes creio que queria-me estátua, uma estátua bonita que serve pra efeitar, mas desculpa se eu nasci alma do vento... Não sou joaninha, sou dragão. Não sou bailarina, sou surfista. Não sou flor do campo, sou cacto. Não sou água, nem vinho... sou coca-cola. Eu juro que faço o meu melhor, mesmo o meu melhor sendo pequeno para as nossas expectativas. Acredito que o lance, na verdade, se  resuma ao fato de que te tenho como exemplo [nunca.vou.ser.grande.como.você]. Eu não quero que você morra. Te quero viva pra sempre e, não só na memória, mas viva de viva, sabe? Acho que perderei o chão, o céu e alma, quando você morrer.

setembro 22, 2010

# Dia 2 - Uma carta para a Minha Paixão

Eis que agora me pergunto: "Quem [O que] é minha paixão?". Depois de muito pensar, entendi. Minha paixão é a minha energia pessoal, única, distinta que emprego em cada coisa que faço. Mas creio que a proposta, desta carta, não é essa. Deve ser mais carnal...

Então essa carta vai pra você, mocinho do outro lado da tela. Você que está há quilômetros de distância, que já "sonhamos/planejamanos" nos encontrar. E não aconteceu. Não rolou. Tudo vai ficar sempre no nosso ideário. Agora temos certeza disso. Eu voltei para o antigo caminho da minha vida. E você encontrou um novo caminho... Nossos caminhos são paralelos agora, temos plena consciência de que jamais nos tocaremos. Nunca nos olharemos nos olhos. Nunca sentiremos o cheiro e o gosto, um do outro. junto.

Será que me faltou coragem e te faltou empenho? E se tivesse acontecido. E se tivemos feito as loucuras, realizado as vontades, demonstrado a ternura... como seríamos hoje? eu com a minha vida quadrada e monótona e você com a sua insatisfação de recém casado e recém pai? 
Não que a atual conjuntura da minha vida me incomode ou me deixe insatisfeita. Mas eu sinto que estou pela metade... estou quase cheia, quase vazia... eu não gosto de quases... O mesmo deve estar acontecendo com você.

Eu devia ter dito que não existem comerciais de margarina fora da Tv. Você foi inocente como eu nunca pensei que você pudesse ser. No seu café da manhã não há tanto sorriso, a luz do sol não se infiltra pela janela iluminando o rosto da sua esposa, o pão não é tão fresquinho e crocante como te prometeram. A maçã não é mais tão doce... ela só é doce quando, ainda, está no pé.

Ahhhh docinho... nós humanos não podemos provar o nectar dos deuses e sairmos impunes. É melhor tudo ficar assim. Você aí [com sua vida burguesa pós moderna], e eu aqui [com a minha vida clichê e suburbana]. As coisas entre nós só foram a intelectualização da carne.

Eu nunca fui uma moça de café da manhã em família, mas também não sou de lanches no meio da tarde. 

agosto 21, 2010

# Dia 1 - Uma carta para minha melhor amiga



Todo mundo tem amigos. Todo mundo tem um melhor amigo. As vezes me pergunto se tenho amigos e você é a primeira pessoa a surgir na minha mente. Tenho muitos companheiros e companheiras, tenho parceiros de projetos, amigos de copo, camaradas. Mas acho que só você entende meus pontos de vista, sem questionar, sem titubear, só você reconhece alguma lógica no meu abstrato. Mesmo quando diz que sou escrota por alguns dos meus atos, eu sei que você entende, pode não concordar, mas entende. É só pra você que eu empresto meus livros e Dvd's sem ciúme [e você diz a mesma coisa... rs], é só pra você que eu consigo mostrar um pouco das minhas preocupações e fragilidades, é só com você que consigo viver todas as minhas nuances, meus receios... É estranho como as coisas acontecem entre a gente, não há melindres. Adoro fazer pudim de leite pra você, poucas pessoas o mercem tanto. É com você que eu tenho conversas construtivas, que falamos de problemas de família, e você me mostra suas inseguranças. [Eu sou você morena, e você me é loira, lembra?] O tempo passa, e você fica, e fica cada vez mais presente. Acho até que você é uma das poucas pessoas que acreditam em mim, até mais do que eu, as vezes acho que nesse ponto você é utópica. [Ninguém deveria acreditar tão piamente em mim]. Amiga, eu queria idealizar um mundo, daqueles de contos de fadas, em que eu colocaria umas poucas pessoas, por um ou dois dias, só pra curtir, só pra ter um descanso.... você estaria lá. Porque você me dá cama, comida e roupa lavada quando preciso. Há tanta suavidade e densidade em você, tudo ao mesmo tempo agora, que as vezes chega a me comover. O mundo não é um souflèe, mas é delicioso. Poucas coisas são tão boas quanto ficar em casa e comer sua macarronada acompanhada de um bom vinho. Transparência... era essa palavra que eu estava buscando pra te descrever. Você fala do que sente, do que teme, sem receio, sem medo de parecer piegas, ou qualquer coisa do tipo. Uma das coisas que eu mais adoro em você é sua simplicidade. Tênis na balada? Qual o problema? rs Acho que nunca te contei, mas morro de inveja dos seus cílios, são lindos... por isso abuso do rímel, pra tentar competir. Eu não tenho irmãos, e sempre gostei disso, nunca quis diferente. Mas agora me ocorre que eu tenho uma irmã.

30 dias, 30 cartas.

Day 1 — Your Best Friend
Day 2 — Your Crush
Day 3 — Your parents
Day 4 — Your sibling (or closest relative)
Day 5 — Your dreams
Day 6 — A stranger
Day 7 — Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush
Day 8 — Your favorite internet friend
Day 9 — Someone you wish you could meet
Day 10 — Someone you don’t talk to as much as you’d like to
Day 11 — A Deceased person you wish you could talk to
Day 12 — The person you hate most/caused you a lot of pain
Day 13 — Someone you wish could forgive you
Day 14 — Someone you’ve drifted away from
Day 15 — The person you miss the most
Day 16 — Someone that’s not in your state/country
Day 17 — Someone from your childhood
Day 18 — The person that you wish you could be
Day 19 — Someone that pesters your mind—good or bad
Day 20 — The one that broke your heart the hardest
Day 21 — Someone you judged by their first impression
Day 22 — Someone you want to give a second chance to
Day 23 — The last person you kissed
Day 24 — The person that gave you your favorite memory
Day 25 — The person you know that is going through the worst of times
Day 26 — The last person you made a pinky promise to
Day 27 — The friendliest person you knew for only one day
Day 28 — Someone that changed your life
Day 29 — The person that you want tell everything to, but too afraid to
Day 30 — Your reflection in the mirror.

Não sei qual será a periodicidade, não sei se uma por dia, uma por mês, ou uma por hora.... Mas, tudo o que sei, é que começo agora. Não há ordem, deveria haver... [?]